Blog com novo visual

ferlinghetti-0136Estou fazendo uma reformulação geral no blog e devo, de agora em diante, postar somente meus trabalhos poéticos, fotográficos, reportagens culturais e projetos dos quais participo. Então, a postagem de hoje é a tradução de um poema de Lawrence Ferlinghetti feito para o Dia da Poesia:

Para o Oráculo em Delphos

Lawrence Ferlinghetti

grande oráculo, por que está você me encarando?

eu o confundo, lhe causo desespero?

eu, americus, o americano,

forjado da escuridão em minha mãe há muito tempo,

da escuridão da europa antiga–

por que está você me encarando agora

no crepúsculo de nossa civilização–

por que está você me encarando

como se eu fosse a própria américa

o império novo

mais vasto do que qualquer um em dias antigos

com suas rodovias eletrônicas

espalhando sua monocultura

ao redor do mundo

o inglês é o latin de nossos dias–

grande oráculo, que dorme pelos séculos,

desperte agora afinal

e nos conta como nos salvar de nós mesmos

e como sobreviver com as nossas próprias regras

que faz uma plutocracia de nossa democracia

no grande divida

entre o rico e o pobre

como walt whitman ouviu a américa cantando

ó sibila, por eras silenciosa,

você dos sonhos alados,

fale de seu templo de luz

como as constelações sérias

com nomes gregos

ainda olhando sobre nós

como um farol move seu megafone

acima do mar

fale e brilhe em nós

o mar-luz da grécia

a luz de diamante da grécia

sibila há muito observando, sempre escondida,

saia afinal de sua caverna

e fale conosco na voz dos poetas

a voz na quarta pessoa do singular

a voz do futuro inescrutável

a voz das pessoas misturadas

com uma risada macia selvagem–

e nos dá sonhos novos para sonhar,

nos dê mitos novos para viver!

____________________________________________

To the Oracle at Delphi

by Lawrence Ferlinghetti

Great Oracle, why are you staring at me,

do I baffle you, do I make you despair?

I, Americus, the American,

wrought from the dark in my mother long ago,

from the dark of ancient Europa–

Why are you staring at me now

in the dusk of our civilization–

Why are you staring at me

as if I were America itself

the new Empire

vaster than any in ancient days

with its electronic highways

carrying its corporate monoculture

around the world

And English the Latin of our days–

Great Oracle, sleeping through the centuries,

Awaken now at last

And tell us how to save us from ourselves

and how to survive our own rulers

who would make a plutocracy of our democracy

in the Great Divide

between the rich and the poor

in whom Walt Whitman heard America singing

O long-silent Sybil,

you of the winged dreams,

Speak out from your temple of light

as the serious constellations

with Greek names

still stare down on us

as a lighthouse moves its megaphone

over the sea

Speak out and shine upon us

the sea-light of Greece

the diamond light of Greece

Far-seeing Sybil, forever hidden,

Come out of your cave at last

And speak to us in the poet’s voice

the voice of the fourth person singular

the voice of the inscrutable future

the voice of the people mixed

with a wild soft laughter–

And give us new dreams to dream,

Give us new myths to live by!

 

Poema lido em Delphos, Grécia, no dia 21 de março de 2001 no Dia Mundial da Poesia  da UNESCO

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