O Parque dos Ratos

No final dos anos 70, um psicólogo canadense chamado Bruce Alexander teve uma ideia. Ele resolveu repetir o experimento sobre dependência com drogas em ratos, mas, em vez de trancar as cobaias numa solitária, construiu um parque de diversões para os bichinhos – o Rat Park. Tratava-se de uma área grande, 200 vezes maior do que uma jaula, cheia de brinquedos, túneis, perfumes, cores e, o mais importante, habitada por 16 ratinhos albinos. Ratos brancos, como humanos, são seres sociais – adoram brincar uns com os outros. Eles são muito mais felizes em grupo. Outros 16 ratinhos tiveram sorte pior – foram trancados nas jaulas tradicionais, sem companhia nem distração. Ambos os grupos tinham acesso livre a dois bebedores – um jorrando água e o outro, morfina.

Os ratos engaiolados fizeram o que se esperava deles: drogaram-se até morrer. Mas os do Rat Park não. A maioria deles ignorou a morfina. Podendo escolher entre morfina e água, os ratinhos do parque no geral preferiam água. Mesmo quando os ratos do Rat Park eram forçados a consumir morfina até virarem dependentes, eles tendiam a largar o hábito assim que podiam. O consumo da droga entre eles foi 19 vezes menor do que entre os ratinhos enjaulados.

O quadrinista Stuart Mac-Millen fez uma história em quadrinhos sobre a experiência do Parque dos Ratos, aqui traduzido por Erly Ricci, que será postado em capítulos, diariamente.

Parque dos Ratos 01

Anúncios

Rompendo a passividade do olhar

Enviado por Erly Ricci

Fotos de Erly Welton Ricci

Por Ivan de Almeida, do Fotografia em Palavras – Fotos de Erly Ricci

O escultor Henry Moore atribuía ao ato de desenhar o condão de romper a passividade do olhar, sua acomodação. Os fotógrafos criaram um conceito mais ou menos impreciso e o nomearam “Olhar Fotográfico”. O nome é muito bom, mas a compreensão do que seja nem tanto. Esse olhar fotográfico é normalmente tido pelos fotógrafos como uma espécie de dom ou de talento, mais ou menos desenvolvível com a prática mas aparentemente uma instância distinta dos ensinamentos de técnica operativa da câmera fotográfica e da técnica de composição. Esse olhar fotográfico imaginado seria, para os que pensam assim, algo capaz de superar totalmente a técnica compositiva (vista como uma muleta para quem não tem o olhar fotográfico) e algo apenas instrumentalizado pela técnica operativa, essa um saber inerte, passivo, sem capacidade de criar lógicas visuais mas tão somente servir ao olhar fotográfico.

O bom nome, como veremos abaixo, termina assim sendo um biombo ocultando as questões verdadeiras, quais sejam o relacionamento das instâncias técnicas com o ato fotográfico e, principalmente, a educação do fotógrafo para superar a preguiça do olhar. É como se o tal Olhar Fotográfico fosse inato ou algo da personalidade e destacado da prática da fotografia, algo pessoal que, de repente, havendo uma câmera e uma técnica, aflorasse, mas sempre estando latente e pronto antes mesmo da experiência fotográfica. É assim, aliás o pensamento majoritário sobre as artes, algo da esfera do dom e não da técnica ou do trabalho. Algo que é inspiração.

Contudo, assim como aprendemos a desenhar treinando em nós uma maneira de analisar a cena e traduzi-la em uma convenção bidimensional de representação, e essa análise é muito bem definida em seus procedimentos consistindo em medir, comparar, avaliar tamanhos relativos e inclinações, e sobretudo, evitar que o olhar preguiçoso empregado na vida normal contamine o desenho, aprendemos também o Olhar Fotográfico fotografando e treinando como analisar a cena em função da representação desejada. Na verdade, adquirimos o Olhar fotográfico quando aprendemos a olhar para as coisas como uma câmera fotográfica; analisando o DOF, analisando um mundo contido em um retângulo definido, analisando a luz e a reação da superfície sensível a ela. Nosso pensamento produz um prognóstico da captura.

O olhar fotográfico é inseparável dos atos analíticos que empregamos para definir a fotografia. Ele não tem outra natureza a não ser a antevisão dos atos fotográficos a partir de uma compreensão do aparelho.

A relação entre Olhar Fotográfico e técnica fotográfica ou técnica de composição é uma relação como a cara e a coroa de uma moeda. Não é possível fazer uma moeda só com um lado. Não existe o Olhar fotográfico sem a introjeção da experiência fotográfica e sem o ato de análise fotográfica. É como um dado. Podemos olhar o dado de seis lados diferentes, mas termos somente o dado como coisa completa de seis lados do mesmo objeto. Experiência fotográfica (técnica) e Olhar fotográfico são a mesma coisa, somente que cada uma dessas expressões simboliza uma categoria analítica. Mas de fato o tal olhar acontece como uma conjugação de escolhas técnicas, e é adquirido pela experiência de fazer escolhas técnicas até o ponto em que sem uma câmera na mão podemos saber como uma câmera, com uma determinada lente, capturaria um assunto.

Diversas estruturas formais da fotografia são estranhas à vista humana desarmada; desfoques, silhuetas, DOF curto, perspectiva rectilinear, nada isso é nosso. Tudo isso é aprendido pelo uso da máquina ou pela contemplação do universo de imagens fotográficas circulantes no mundo. Aprendemos a fotografar vendo fotografias e entendendo sua forma de fazer.

Consta que o maior de todos, o Henry Cartier-Bresson, costumava olhar suas provas de cabeça para baixo para não ser perturbado pela coisa retratada ao analisar a composição. Olhando de ponta-cabeça ele via menos a coisa –o referente- e mais o jogo visual de linhas, massas claras e escuras, etc. É muito interessante como isso guarda semelhança com o desenho “com o lado direito do cérebro”. Separa a representação da análise formal tem sido, para todas as gerações de artistas visuais, o grande desafio. A fotografia é feita de um objeto objeto, mas constitui uma coisa própria, regida por leis próprias, e olhar fotográfico é análise formal, é tornar consciente a percepção visual, e aplicar essa consciência ao enquadrar o mundo no retângulo.

Regata de canoa à vela em Antonina-PR - Erly Ricci

Ilha do Mel - Paranaguá-PR - Erly Ricci

Sinapses da natureza - Erly Ricci

Antes da chuva - Erly Ricci

Fim de tarde no Guartelá - PR - Erly Ricci

Meninas na janela - Erly Ricci

Um porto - Erly Ricci

A revisão do mundo

montanhas

do blog Além das Montanhas Coloridas

O fictício vilarejo de Isen, do romance “Alem das Montanhas Coloridas“, de Silzi Mossato, é um mundo perfeito e encantador:

Isen era uma cidadezinha singela que ficava espremida entre o rio e as montanhas. Suas ruas, calçadas com pedras vermelhas, ocre, grafite e cinza, exibiam desenhos cuidadosamente organizados. Três delas seguiam as águas que correndo em leito de pedras, circundavam o aglomerado de casas. As demais, que não passavam de meia dúzia de transversais, iam do rio as montanhas e das montanhas ao rio. Apenas uma era ligada à ponte de madeira bruta e dava passagem para as trilhas que se espalhavam pelo campo. Todas, no entanto, convergiam para a trilha maior, que depois de se arrastar pelos limites do lugarejo, subia a montanha até a única pedra lilás da região.

Mas para o jovem Yan, mesmo o perfeito precisa de uma revisão, que passa pela necessidade de experimentar e experienciar novos horizontes, novos fazeres, e perspectivas e devolver tudo ao mundo. Tradicionalmente, Isen permitia aos seus habitantes a chance única de mudar as leis:

Yan festejava cada aniversário, mas em segredo aguardava aquele que lhe daria, finalmente, o direito de intervir nas leis de Isen. Era assim que acontecia: a cada habitante que completava dezesseis anos, era dado o direito de, no dia de seu aniversário, pedir uma única alteração nas leis do lugar. Cabia ao aniversariante inventar um ritual solitário e durante o mesmo, rogar para que seu desejo fosse concretizado.

O livro “Alem das Montanhas Coloridas” está disponível na internet: nas versões e-book e impresso. O leitor pode ainda baixar o primeiro capítulo gratuitamente para aprender a gostar. Para este Natal o livro está em promoção. Confira nos seguintes endereços:

http://alemdasmontanhascoloridas.com.br/

https://clubedeautores.com.br/books/search?utf8=%E2%9C%93&where=books&what=Silzi+Mossato&sort=&topic_id=

Além das Montanhas Coloridas

Doroteia, uma farsa irresponsável

DoroteiaA obra teatral de Nelson Rodrigues exibe o olhar irônico e satírico deste dramaturgo genial sobre um país e uma sociedade em transformação vertiginosa. Nas 17 peças que escreveu ao longo de sua carreira, ele inaugurou e consolidou o modernismo no teatro brasileiro. Em Dorotéia, uma farsa irresponsável em três atos, Nelson coloca diversos mitos nada prodigiosos: o de sexo envolto na idéia de pecado; o de beleza ligado a maldição; a doença como purificadora da alma; a feiúra como espantalho do demônio; a condenação do filho rebelde a retornar ao útero materno; a recusa do próprio corpo conduzindo à rigidez da morte; o artifício como antônimo de vida. Nelson recorreu a personagens arquetípicas, avessas às oscilações psicológicas, e apelou para simbolizações de admirável poder sintético.

Dorotéia, ex-prostituta que largou a profissão depois da morte do filho, vai morar na casa de suas primas, três viúvas puritanas e feias que não conseguem enxergar os homens e não dormem para não sonhar. Ao contrário das mulheres da família, Dorotéia é bonita, exuberante e não tem aversão aos homens. Inicialmente, as três viúvas, no entanto, a repudiam por causa de seu passado e por julgarem que sua beleza atrai o pecado. Para aceitá-la, elas lhe impõem uma condição – precisa ficar feia. Dorotéia, que estreou em 1950, é uma das míticas peças de Nelson Rodrigues. Nela os homens estão ausentes: eles só aparecem na fala das personagens femininas.

A montagem da Santa Produção que estreou no último dia 2 de agosto e vai até o dia 25 na Cia dos Palhaços, com direção de Mariana Zanette, muito além da tragicomédia farsesca rodriguiana, acrescentou mais humor negro, com mais ousadia do que poderia sugerir a própria falta de pudor do texto. Com o olhar arguto e a concepção criativa de Mariana Zanette,  mais a fantástica cenografia de Aorélio Domingues e o trabalho dos atores, a qualidade do espetáculo foi elevada ao incomparável.

Mariana avisa, no programa da peça, que não obedeceu às rubricas de Nelson Rodrigues. E, a começar pelo cenário, dois armários redondos, gigantes, giratórios com detalhes que servem à projeção de imagens, como porta de entrada, com trapézios e até estantes, o espetáculo mistura cinema, circo e teatro, fundindo várias linguagens para contar uma história de terror familiar.

Mariana, além do surrealismo inscrito no texto de Nelson, amplia com linguagens de hoje e de ontem, acrescentando o conceito de horror cinematográfico engendrado na Cia Vigor Mortis, da qual Mariana Zanette é co-fundadora (N.A. A companhia Vigor Mortis foi criada em 1997, em Curitiba, Paraná, pelo diretor teatral Paulo Biscaia Filho, dois anos depois de ele defender sua tese de mestrado sobre Grand Guignol na Royal Holloway University of London. O Grand Guignol é também o foco principal da companhia, que adota um gênero subestimado que usa a violência e o naturalismo explícitos como meios narrativos).

O texto é forte, um dos melhores e mais ousados de Nelson Rodrigues, e Mariana deu o seu toque à altura,  a começar do cenário, uma casa de chão frio, sem leito,  que é bem o símbolo da morte, mas com dois enormes armários vivos, com como uma dicotomia que faltava para dar maior robustez à peça.

Cena da peça Dorotéia, uma farsa irresponsável, com Mariana Zanette e Ludmila Nascarella

Cena da peça Dorotéia, uma farsa irresponsável, com Mariana Zanette e Ludmila Nascarella

O espetáculo conta com um elenco premiadíssimo; Ludmila Nascarella, Mariana Zanette, Marvhem Hd, Thadeu Perone, o acrobata John Salgueiro e a musicista Marcela Zanette que também assina a direção musical. A direção é de Mariana Zanette, cenografia e cenotecnia Aorelio Domingues e iluminação de Wagner Corrêa.
Serviço:
Dorotéia, uma farsa irresponsável
Local: Teatro Cia dos Palhaços – Rua Amintas de Barros, 307
Datas: de 02 a 25 de agosto de terça a domingo as 20h00
Ingressos: 14,00 e 10,00 com bônus
Classificação: 16 anos

Produção: Santa Produção!

Uma família de artistas

Fandango em Curitiba 03 O fandango paranaense continua vivo, não por graça e empenho dos folcloristas acadêmicos, mas pelo dinâmico esforço dos próprios caiçaras, através dos velhos mestres e seus descendentes, como a Família Pereira, de Guaraqueçaba, e jovens caiçaras como José Muniz, também de Guaraqueçaba, e Aorélio Domingues, da Ilha dos Valadares, em Paranaguá. Desses, Aorélio é o mais proeminente, porque conseguiu tirar do fandango e da cultura caiçara o limbo de preconceito com que sempre foi tratado para alçá-lo a um lugar de destaque e de reconhecido valor cultural.

O trabalho desenvolvido por Aorelio Domingues, na Casa Mandicuera e junto às comunidades caiçaras do litoral paranaense foi reconhecido como um dos mais importantes da cultura popular brasileira. Aorélio foi um dos que lutaram bravamente para que o Fandango fosse tombado como Patrimônio Imaterial do Brasil e agora recebe o título de Salvaguardador de Culturas Tradicionais, em âmbito internacional. Foi, ainda, convidado para participar do encontro de Violas de arame em Portugal onde tocará  juntamente com grandes músicos violeiros do Brasil e de Portugal, que acontece de 22 de abril a 1º de maio.

 No meio de tudo isso, ainda participa da Folia do Divino Espírito Santo, que vai levar as bandeiras para as comunidades litorâneas a partir do dia 5 de abril e ainda volta de Portugal para encerrar a Festa do Divino, em Paranaguá.

Mariana e as GêmeasMas Aorélio não está só. Tem o apoio integral de sua linda família (a mãe Dona Aliete, a companheira de arte e de vida, a premiadíssima atriz a artista visual Mariana Zanete, as filhas Luma e Malu (na foto acima, com Mariana), o incansável artesão Poro de Jesus, Mestre Zeca Martins, que sempre o acompanha tocando rabeca e ensinando fandango aos jovens na Casa Mandicuera, os meninos dançarinos, Tamise Fernandes Alves, Lenon Rodrigo, Elyson Domingues e Paulo Henrique, os irmãos violeiros Miguel (Mamangava) e Darci Martins (entre outros e outras que não cito e peço perdão pela falha da memória), mas que formam uma grande e talentosa família a preservar e enriquecer a cultura caiçara do Paraná.

 

Blog com novo visual

ferlinghetti-0136Estou fazendo uma reformulação geral no blog e devo, de agora em diante, postar somente meus trabalhos poéticos, fotográficos, reportagens culturais e projetos dos quais participo. Então, a postagem de hoje é a tradução de um poema de Lawrence Ferlinghetti feito para o Dia da Poesia:

Para o Oráculo em Delphos

Lawrence Ferlinghetti

grande oráculo, por que está você me encarando?

eu o confundo, lhe causo desespero?

eu, americus, o americano,

forjado da escuridão em minha mãe há muito tempo,

da escuridão da europa antiga–

por que está você me encarando agora

no crepúsculo de nossa civilização–

por que está você me encarando

como se eu fosse a própria américa

o império novo

mais vasto do que qualquer um em dias antigos

com suas rodovias eletrônicas

espalhando sua monocultura

ao redor do mundo

o inglês é o latin de nossos dias–

grande oráculo, que dorme pelos séculos,

desperte agora afinal

e nos conta como nos salvar de nós mesmos

e como sobreviver com as nossas próprias regras

que faz uma plutocracia de nossa democracia

no grande divida

entre o rico e o pobre

como walt whitman ouviu a américa cantando

ó sibila, por eras silenciosa,

você dos sonhos alados,

fale de seu templo de luz

como as constelações sérias

com nomes gregos

ainda olhando sobre nós

como um farol move seu megafone

acima do mar

fale e brilhe em nós

o mar-luz da grécia

a luz de diamante da grécia

sibila há muito observando, sempre escondida,

saia afinal de sua caverna

e fale conosco na voz dos poetas

a voz na quarta pessoa do singular

a voz do futuro inescrutável

a voz das pessoas misturadas

com uma risada macia selvagem–

e nos dá sonhos novos para sonhar,

nos dê mitos novos para viver!

____________________________________________

To the Oracle at Delphi

by Lawrence Ferlinghetti

Great Oracle, why are you staring at me,

do I baffle you, do I make you despair?

I, Americus, the American,

wrought from the dark in my mother long ago,

from the dark of ancient Europa–

Why are you staring at me now

in the dusk of our civilization–

Why are you staring at me

as if I were America itself

the new Empire

vaster than any in ancient days

with its electronic highways

carrying its corporate monoculture

around the world

And English the Latin of our days–

Great Oracle, sleeping through the centuries,

Awaken now at last

And tell us how to save us from ourselves

and how to survive our own rulers

who would make a plutocracy of our democracy

in the Great Divide

between the rich and the poor

in whom Walt Whitman heard America singing

O long-silent Sybil,

you of the winged dreams,

Speak out from your temple of light

as the serious constellations

with Greek names

still stare down on us

as a lighthouse moves its megaphone

over the sea

Speak out and shine upon us

the sea-light of Greece

the diamond light of Greece

Far-seeing Sybil, forever hidden,

Come out of your cave at last

And speak to us in the poet’s voice

the voice of the fourth person singular

the voice of the inscrutable future

the voice of the people mixed

with a wild soft laughter–

And give us new dreams to dream,

Give us new myths to live by!

 

Poema lido em Delphos, Grécia, no dia 21 de março de 2001 no Dia Mundial da Poesia  da UNESCO

pra roer a roupa da cultura

oratoCuritiba ganha uma nova revista mensal de cultura, pra marcar a arte genuinamente curitibana  e ajudar a roer as tribos de Geena que insistem em expor sua mediocridade acima da criatividade. O Rato quer fazer saber que Curitiba não é só Paulo Leminsky ou Dalto Trevisan, mas também Cláudio Kambé, Tiziu, Confraria da Costa, Namorada Belga, Murillo da Rós e há ainda muito mais que vampiros e polaquinhos tomando sangue de boi e outros drinks gelados.

Traz já em sua primeira ediçção uma “batata quente” – a incendiária, explosiva e crítica entrevista com Roberto Amorim, o Beto Batata, um dos mais conhecidos empresários da gastronomia curitibana que, além de excelente chef de cozinha, é um grande incentivador da arte, promovendo todos os anos uma jornada de 24 horas de choro,  junto com o violonista João Egashira, por ocasião do aniversário de Pixinguinha, e outros eventos igualmente importantes.

Traz também “a roupa roída do rato” , destacando uma pergunta de Renato Oliveira, criador do projeto Zé da Venda, que comercializa camisetas com estampas da cultura brasileira: “Por que não vestimos a nossa cultura?Traz uma entrevista com o compositor e cantor carioca Cícero Lins, aquele das “Canções de Apartamento”, ex vocalista da banda Alice, que recentemente fez um show no teatro Paiol, e uma “não-entrevista com um vampiro”. Recheia suas páginas com  obras do genial artista Cláudio Kambé, que, inconformado com  a miséria da mídia, procurou a revista para propor uma campanha inusitada: “Não voto obrigado”. Além dos artistas locais, coloca Siba, Cartola (em uma entrevista do além), sugestões de CDs, filmes e, ainda, uma entrevista com Tiziu, o violonista que revigora as 7 cordas no samba, no choro e em outros estilos.Oroto01

Como disse Beto Batata, “minha esperança é que (….) a revista venha fazer alguma coisa que influencie para o bem, que cutuque, que mexa com os brios das pessoas, porque estamos estagnados, num estado de conformação”, como diria Noam Chomsky.