O Parque dos Ratos

No final dos anos 70, um psicólogo canadense chamado Bruce Alexander teve uma ideia. Ele resolveu repetir o experimento sobre dependência com drogas em ratos, mas, em vez de trancar as cobaias numa solitária, construiu um parque de diversões para os bichinhos – o Rat Park. Tratava-se de uma área grande, 200 vezes maior do que uma jaula, cheia de brinquedos, túneis, perfumes, cores e, o mais importante, habitada por 16 ratinhos albinos. Ratos brancos, como humanos, são seres sociais – adoram brincar uns com os outros. Eles são muito mais felizes em grupo. Outros 16 ratinhos tiveram sorte pior – foram trancados nas jaulas tradicionais, sem companhia nem distração. Ambos os grupos tinham acesso livre a dois bebedores – um jorrando água e o outro, morfina.

Os ratos engaiolados fizeram o que se esperava deles: drogaram-se até morrer. Mas os do Rat Park não. A maioria deles ignorou a morfina. Podendo escolher entre morfina e água, os ratinhos do parque no geral preferiam água. Mesmo quando os ratos do Rat Park eram forçados a consumir morfina até virarem dependentes, eles tendiam a largar o hábito assim que podiam. O consumo da droga entre eles foi 19 vezes menor do que entre os ratinhos enjaulados.

O quadrinista Stuart Mac-Millen fez uma história em quadrinhos sobre a experiência do Parque dos Ratos, aqui traduzido por Erly Ricci, que será postado em capítulos, diariamente.

Parque dos Ratos 01

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Blog com novo visual

ferlinghetti-0136Estou fazendo uma reformulação geral no blog e devo, de agora em diante, postar somente meus trabalhos poéticos, fotográficos, reportagens culturais e projetos dos quais participo. Então, a postagem de hoje é a tradução de um poema de Lawrence Ferlinghetti feito para o Dia da Poesia:

Para o Oráculo em Delphos

Lawrence Ferlinghetti

grande oráculo, por que está você me encarando?

eu o confundo, lhe causo desespero?

eu, americus, o americano,

forjado da escuridão em minha mãe há muito tempo,

da escuridão da europa antiga–

por que está você me encarando agora

no crepúsculo de nossa civilização–

por que está você me encarando

como se eu fosse a própria américa

o império novo

mais vasto do que qualquer um em dias antigos

com suas rodovias eletrônicas

espalhando sua monocultura

ao redor do mundo

o inglês é o latin de nossos dias–

grande oráculo, que dorme pelos séculos,

desperte agora afinal

e nos conta como nos salvar de nós mesmos

e como sobreviver com as nossas próprias regras

que faz uma plutocracia de nossa democracia

no grande divida

entre o rico e o pobre

como walt whitman ouviu a américa cantando

ó sibila, por eras silenciosa,

você dos sonhos alados,

fale de seu templo de luz

como as constelações sérias

com nomes gregos

ainda olhando sobre nós

como um farol move seu megafone

acima do mar

fale e brilhe em nós

o mar-luz da grécia

a luz de diamante da grécia

sibila há muito observando, sempre escondida,

saia afinal de sua caverna

e fale conosco na voz dos poetas

a voz na quarta pessoa do singular

a voz do futuro inescrutável

a voz das pessoas misturadas

com uma risada macia selvagem–

e nos dá sonhos novos para sonhar,

nos dê mitos novos para viver!

____________________________________________

To the Oracle at Delphi

by Lawrence Ferlinghetti

Great Oracle, why are you staring at me,

do I baffle you, do I make you despair?

I, Americus, the American,

wrought from the dark in my mother long ago,

from the dark of ancient Europa–

Why are you staring at me now

in the dusk of our civilization–

Why are you staring at me

as if I were America itself

the new Empire

vaster than any in ancient days

with its electronic highways

carrying its corporate monoculture

around the world

And English the Latin of our days–

Great Oracle, sleeping through the centuries,

Awaken now at last

And tell us how to save us from ourselves

and how to survive our own rulers

who would make a plutocracy of our democracy

in the Great Divide

between the rich and the poor

in whom Walt Whitman heard America singing

O long-silent Sybil,

you of the winged dreams,

Speak out from your temple of light

as the serious constellations

with Greek names

still stare down on us

as a lighthouse moves its megaphone

over the sea

Speak out and shine upon us

the sea-light of Greece

the diamond light of Greece

Far-seeing Sybil, forever hidden,

Come out of your cave at last

And speak to us in the poet’s voice

the voice of the fourth person singular

the voice of the inscrutable future

the voice of the people mixed

with a wild soft laughter–

And give us new dreams to dream,

Give us new myths to live by!

 

Poema lido em Delphos, Grécia, no dia 21 de março de 2001 no Dia Mundial da Poesia  da UNESCO

Tom Junior e o bom gosto “eternamente”

Tenho visto muitos trabalhos bons em música. Uma grande leva de compositores novos – de uma novíssima geração que se aproxima em muito do bom gosto das gerações mais férteis da música brasileira – parece extrair de um campo de ressonância gravado no inconsciente coletivo, o melhor de nós mesmos.

Existe um consenso de que o maior paradigma (se é que se pode dizer assim) da música brasileira de qualidade é Tom Jobim e Chico Buarque de Holanda. Mas o mercado fonográfico não está nem aí para esta qualidade paradigmática. O que ele busca (os mercadores) foge 100% da nossa autenticidade cultural, com artistas amestrados e envelopados, abundantemente e, em igual proporção ao mercado, pirateados e copiados.

Tom Junior (e muitos outros compositores que conheço pessoalmente, a maioria dos quais já postados aqui) parece ser a diferença no baralho – um ás de espadas vermelho – ou seja, não pode ser domado pelo sucesso que se alimenta dos modismos de ocasião, mas antes, pela arte em todas as suas cores.

Tom tinha me mostrado a música do clip abaixo antes de produzir o vídeo. Gostei, sobretudo, do arranjo, mas também da leveza poética da melodia e da letra. Inspiradíssima, “Eternamente” é uma dessas canções que penetram pelos poros e chega para a carícia da alma. Música gravada de forma independente, com poucos recursos e clip idem, em menos de 24 horas e divulgada nas redes sociais pelo próprio artista, “Eternamente” marcou quase 2 mil visualizações no YouTube, contra quase o mesmo tanto da música anterior, “Desse Mar” em seis meses. É muito mais do que uma grande produção de mídia pode fazer com toda a sua manipulação e agendamento, dadas as devidas proporções.

Presumo que deva ser por conta do “paradigma” sobre o qual me referi no segundo parágrafo – a arte quenos toca profunda e definitivamente – cujo padrão de referência dificilmente pode ser modificado sem uma grande ruptura, apesar da onipresença da mídia como eficiente modificadora da preferência popular.

Com vocês, “eternamente”, de Tom Junior:

Videoclipe oficial da música “Eternamente” de Tom Junior. http://tomjunior.com.br

Nosso Medo

Nosso medo

Poema publicado no Almenara da Palavra

Poema de Erly Welton Ricci
Ilustração de Erly Welton Ricci
“Serei capaz
de não ter medo de nada,
nem de algumas palavras juntas?”
Manuel António Pina
Não usa sapatos novos
Nem assoma na janela
O uivo de sete paredes
Nosso medo
Ruas mal-iluminadas
Pedra assentada no ombro
O que espreita na lida
Signo de nenhuma estrela
Crucificada no erro
Em vestes corruptíveis
Fala pelos cotovelos
Entre ossos e lama e aço
Cerra olhos e punhos
Nosso medo
Não tem a morte no rosto
Não oferece a outra face
Ferro e fogo do verso
Cálice de vinho e veneno
Inverno de mitos sangrentos
Desperta mil vezes em cena
É uma montanha de pedra
Ciência e deuses no Olimpo
Rosário de sal e de seca
Nosso medo
Punhado de cal na têmpora
O dia que ainda não veio
Barco na névoa espessa
Cova rasa do julgamento
A linha de qual horizonte
Minúcias de zinco e areia
São ferpas e lascas na unha
Estrada longa e estreita
Reza pra todos os santos
O nosso medo
Ferrugem no pó e nos pelos
O sangue de metal e fungos
A certeza de não sabermos
Em doze motes de cera
Grades e muros e cercas
Arame em torno do punho
O nosso medo

O fandango está muito vivo

Aorélio nunca pára. Está sempre fazendo alguma coisa, e quase nunca pra si mesmo. Ao mesmo tempo em que ministra uma aula de viola fandangueira, ritmos do fandango caiçara, marcas e versos, concede entrevista, lida na cozinha, ensina a construção de instrumentos típicos da cultura caiçara (rabeca, viola, adufo, caixa, machete e viola) e ainda supervisiona o trabalho dos outros na Casa Mandicuéra. Em 28 horas de convivência, das quais mais de 8 foram de conversas sobre seu trabalho, Aorélio tocou viola, rabeca, adufo, ensaiou para a Romaria do Divino Espírito Santo (cuja saída para as ilhas e comunidades do litoral paranaense será nesta sexta-feira, 13), supervisionou o trabalho dos fabriqueiros no atelier, atendeu ao pessoal do teatro que fizeram duas apresentações na Casa e ainda recebeu os diversos visitantes e amigos e contou algumas piadas sobre a rivalidade entre as duas cidades portuárias do Paraná, Antonina e Paranaguá. Sempre de bom humor e disposto, Aorélio não dormiu mais do que duas horas, de sábado para domingo.

Com toda essa agitação, Aorélio é um dos que fazem a cultura popular dos caiçaras paranaenses mais viva do que nunca. Ensina a construir instrumentos, a tocar e fala das tradições culturais da comunidade em que nasceu e foi criado com uma superdose de amor. Aorélio Domingues é um jovem, como a maioria das pessoas que participam da Associação de Cultura Popular Casa Mandicuéra, um Ponto de Cultura na Ilha dos Valadares em Paranaguá, neto de fandangueiro que escolheu trabalhar, viver, divulgar e “tocar suas tradições pra frente”. Formado em artes plásticas pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná – EMBAP, o jovem fabriqueiro, depois de ganhar inúmeros prêmios em salões de arte, resolveu voltar às origens e se dedicar a manter viva a cultura caiçara.

“Todas as pessoas que pesquisam, com aquele olhar de antropólogo, afirmam que o fandango está morrendo. Mas esses mesmos pesquisadores que decretam a morte do fandango, gravam nossas músicas e depois não deixam que ela retorne para a comunidade”, afirma. Os “folcloristas” colocam a arte popular nas prateleiras do mundo acadêmico com rótulos e mais rótulos de pura teoria como se a arte fosse uma propriedade material. “Eles não trazem de volta para a comunidade”, diz Aorélio – não exatamente com estas palavras – lamentando que muitas coisas foram sendo esquecidas pelos velhos mestres e existe uma grande dificuldade de resgatar algumas canções. “Mas basta que o mestre ouça um trecho para lembrar e tocar novamente”.

Aorélio é também um dos idealizadores, criadores e diretores da Orquestra Rabecônica do Brasil, para a qual construiu cerca de 40 instrumentos.   A orquestra, a 1ª do Brasil, foi viabilizada pela Lei de Incentivo à Cultura de Curitiba e já se apresentou em diversas ocasiões, com o espetáculo Açucena, de música e folclore de Aorélio Domingues,  direção musical de Ulisses Galetto e trás além de inúmeros músicos importantes no cenário paranaense, mestres da Associação de Cultura Popular Mandicuera. As músicas tem arranjos de Carla Zago e Rodrigo Melo.  Apresenta a cultura caiçara do litoral paranaense, com seus causos, danças, ritos e crenças. Um show multimídia que mostra tradições como a Folia do Divino Espírito Santo, o Fandango, o Boi de Mamão, a Folia de Reis, o Terço Cantado, pela interpretação de uma orquestra formada de adufos, violas, machetes, machetões, caixas, rabecas e rabecões.

As rabecas construídas pelo Mestre Aorélio apresentam um fino acabamento, a delicadeza , o timbre e a leveza de um violino. Seu atelier é completo e ele já construiu instrumentos como violoncelo e contra-baixo. Tem fixação por ferramentos. “Não posso entrar em lojas de ferragens que acabo sempre comprando mais do que podia”. O ofício de “fabriqueiro”, como gosta de chamar, também aprendeu com o avô, de quem herdou a rica cultura caiçara.

Mas o fandango não continua vivo só na Casa Mandicuera. Na Ilha dos Valadares existem outros grupos de fandango, como o  Grupo do Mestre Romão, Grupo do Mestre Brasilio e Grupo Pé de Ouro. Em Guaraqueçaba também continua viva a cultura através da família Pereira e os mestres da Barra do Ararapira, Batuva, Rio dos Patos e Rio Verde. E ainda uma nova geração de meninos, como Zé Muniz,também filho de mestre fandangueiro, mas que foi despertado para a arte popular através de uma oficina de teatro ministrada pelo ator, dançarino, cantor, escritor e pesquisador maranhense Itaércio Rocha.

Aorélio Domingues considera que é importante ensinar, trazer as crianças para perto das suas tradições, valorizar e incentivar a arte popular dentro da própria comunidade, mas também mostrar lá fora, tirar o ranço de pobreza com que a nossa cultura sempre foi tratada no Paraná.

Não é só por isso que ele não pára. É, talvez, porque a arte da sua comunidade tenha fincado raízes generosas em seu coração. É, talvez, por puro deleite e paixão. É, talvez, porque, de outro modo, seria triste e infeliz.

O Ponto de Cultura caiçara da Casa Mandicuéra

Mestre Zeca (viola) e Jairo (adufo)

José Martins Filho, o Mestre Zeca, é um legítimo caiçara. Nasceu na floresta, numa das partes mais preservadas da Mata Atlântica, entre Guaraqueçaba e Paranaguá. Porque seu pai era andarilho, morou em várias comunidades do litoral do Paraná: Rio Verde e Batuva, em Guaraqueçaba, Ariri, no Estado de São Paulo, Cananéia, em algumas ilhas da Baía de Paranaguá e, finalmente, na Ilha do Valadares. Desde, criança, apesar das constantes mudanças, esteve em contato com o Fandango, tocando rabeca de três cordas, viola de 7 cordas e exercitando a segunda voz. Tem um ouvido absoluto. É capaz de afinar vários instrumentos exatamente no mesmo tom seu precisar ouvir nenhum como referência. Afinou uma viola e me deu, enquanto afinava uma rabeca. No final, os dois instrumentos estavam absolutamente iguais.

Mestre Zeca é o professor de Fandango da Casa Mandicuéra, Associação de Cultura Popular  na Ilha do Valadares, em Paranaguá, um ponto de cultura voltado para a arte caiçara.

Recebeu Silzi e eu com uma alegria cordial de quem tem a alma límpida e brilhante como água cristalina refletindo a luz do sol. E enquanto afinava um e outro instrumento foi nos contando sobre a sua vida simples de caiçara. E quando chegou Jairo, outro integrante do Grupo Mandicuéra, nos presenteou com belíssimas canções tradicionais do fandango, que gravamos apenas para registro e documentação.

Conhecer, fotografar, documentar e divulgar a Casa Mandicuéra foi o primeiro passo que Silzi Mossato e eu demos para formatar o Projeto Interfaces, cujo objetivo é documentar e divulgar as manifestações da cultura popular dentro das próprias comunidades em que elas são produzidas (veja fotos e textos de Silzi Mossato aqui).

OS ALUNOS DO MESTRE
Luis Fabiano Corujinha, João Batista de Andrade e Maria Eduarda moram em Morretes.

Casa Mandicuéra
Segundo o site da Associação, Mandicuéra é o sumo extraído da mandioca no processo de produção da farinha. Extrato este que dá nome à união de diferentes grupos que representam a cultura caiçara do Paraná, mais especificamente de Paranaguá. É nesse caldo que vem sendo geridos, desde 2003, projetos e idéias de fomento à produção da cultura popular local e de articulação comunitária.

O início se deu com a criação do Grupo de Cultura Popular Mandicuéra, que realizou o espetáculo Rufo de Adufo em parceria com o SESC em turnê por 15 estados Brasileiros, unindo fandango, boi-de-mamão e romaria do divino. Fazem parte da associação os grupos Pés-de-Ouro, Caiçaras do Paraná, Grêmio São Vicente, Grupo Mandicuéra, Grupo da Romaria do Divino, Boi de Mamão, Equipe Pamoná de ventrecha de Culinária Tipica entre outros.

Projeto InterFace:
OSS e Kaaru Ara
elaboração e execução: Erly Ricci e Silzi Mossato

Reencontro de gigantes

Show Fenix, com Murillo Da Rós e Gilson Peranzzetta
http://www.dailymotion.com/embed/video/xitole
Fenix por murillodaros

Gilson Peranzzetta e Murillo Da Rós voltam a se encontrar novamente em Curitiba para um show diferente. O maestro aproveita que está na capital paranaense ministrando cursos na 30ª Oficina de Música de Curitiba, um evento que reúne mais de mil músicos todos os anos, para um reencontro com o compositor e violonista Murillo Da Rós. O primeiro encontro entre os dois foi em abril do ano passado, no show Fênix, com músicas de Da Rós, no Teatro Paiol.

O reencontro musical de Da Rós e Peranzzetta, que conta também com as participações especiais dos músicos Glauco Solter (baixo acústico) e Luciano Madalozzo (percussão), transita entre a música brasileira e a internacional, em acordes universais, numa apresentação original e repleta de surpresas harmônicas. Compositores de matizes diferentes e formas distintas de interpretar, os dois têm em comum a paixão pela música instrumental e as descobertas nela contidas. Texturas, entrelaçamento de cordas, cores, suavidades, diferentes sensações e emoção pura, são as imagens sugeridas pelo casamento do violão de Murillo Da Rós com o piano de Gilson Peranzzetta. A arte dos dois grandes instrumentistas dá a esta já conhecida formação de duo, uma dimensão nova e surpreendente, porque eles fogem dos sotaques já conhecidos e formulam uma sonoridade peculiar na qual estão contidos os sedimentos culturais do Brasil.

MURILLO DA RÓS – Violonista expoente no Brasil e no mundo, Murillo Da Rós é músico, arranjador e compositor. A criatividade de suas composições passa por uma sonoridade ímpar e diversa, não se enquadrando em um rótulo musical definido. Sua música possui um suave equilíbrio, onde todos os ritmos encontram seu lugar ao mesmo tempo e sem perder traços e raízes. Na interpretação de Murillo, a possibilidade de acordes dissonantes característicos do violão do Brasil fluem entre a liberdade jazzística e as rítmicas incomuns do flamenco.

GILSON PERANZZETTA – O pianista, compositor, arranjador e maestro Gilson Peranzzetta é um dos raros artistas brasileiros que merece o título de músico completo. Gilson é um estilista da música. Sua performance como pianista e arranjador tem personalidade, criatividade, delicadeza e requinte, sem jamais perder a brasilidade. Carioca, Gilson começou a tocar acordeom e piano na infância, tendo feito suas primeiras composições aos 15 anos. Formado pelo Conservatório Brasileiro de Música, alia a técnica erudita ao jazz. Nos anos 60 integrou o grupo Samba Jazz, tocou com o cantor Taiguara e com o conjunto Central do Brasil, com quem viajou à Europa. Trabalhou durante muitos anos ao lado de Ivan Lins, como tecladista e arranjador. Como compositor, teve músicas gravadas por Djavan, Sarah Vaughan, George Benson, Dianne Schurr, Quincy Jones, Toots Thielmans, entre outros. Como solista, gravou mais de 30 discos desde 1967. Recentemente criou sua própria gravadora, a Marari Discos.

Serviço:

Apresentação musical, encontro com Gilson Peranzzetta e Murillo Da Rós. Dia 26 de janeiro, 18h. Local: Sesc Paço da Liberdade (Praça Generoso Marques, 180 – Centro, telefone: (41) 3234-4200). Gratuito e aberto ao público.