A importância da Lei da Cultura Viva

Depois do Vale CULTURA é a vez da lei CULTURA VIVA!

Célio Turino

Garibaldis e Sacis

A pauta da Cultura no Congresso Nacional tem avançado cada vez mais. Primeiro foi o Sistema Nacional de Cultura, aprovado rapidamente no Senado como um gesto de apoio e reconhecimento à nova ministra Marta Suplicy, que assumiria no dia seguinte; depois o VALE CULTURA, aprovado na Câmara dos Deputados e agora, para o próximo 28 de novembro, a lei CULTURA VIVA entra na pauta da Comissão de Finanças e Tributação, sob a relatoria do deputado Osmar Junior (PCdoB/Piauí).

A lei CULTURA VIVA, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ), já foi aprovada por unanimidade na comissão de educação e cultura da Câmara. Para quem não está familiarizado com os trâmites legislativos, ainda há um longo caminho (após a aprovação na comissão de finanças e tributação ela irá à comissão de constituição e justiça, em seguida ao senado e retorno para aprovação final pelos deputados), mas este passo é estratégico, sobretudo pelo conteúdo que irá incorporar à lei, criando um novo e simplificado marco no relacionamento entre governo e entidades comunitárias.

Como principal contribuição nesta etapa, a lei vai criar o Cadastro Nacional de Pontos de Cultura (a exemplo do currículo Lattes, do CNPQ, ou de cadastro de entidades assistenciais), simplificando processos de contrato entre entidades culturais e governo, além de abrir caminho para repasse de recursos e prestação de contas mais adequados à dinâmica destas entidades e comunidades. No lugar de convênios burocráticos, contratos e prestação de contas por resultados. Pode parecer pouco, mas não é.

Em meu livro, PONTO DE CULTURA – o Brasil de baixo para cima, já apontava sobre a necessidade desta mudança de paradigmas nos contratos entre Estado e Sociedade: “A tradição da burocracia brasileira é formalista. Muito controle nos meandros e nas insignificâncias e pouca atenção nos resultados. Para que ganhe maior eficiência é necessário mudar o foco do acompanhamento por procedimentos para o acompanhamento por resultados. Ao invés de convênios com suas exigências intermináveis, contratos e prêmios. Em paralelo, outros mecanismos de agilização, como transferência direta para entes federados, “fundo a fundo” (que será possível quando da implantação do Sistema Nacional de Cultura) e premiação por desempenho, com o compromisso de serem reaplicados na iniciativa”. (pg. 168)

Essa aparente pequena mudança será a consagração de uma nova forma de relacionamento entre Estado e Sociedade, via entidades comunitárias, inaugurada com os Pontos de Cultura. Até então o modelo tinha e tem sido o de grandes convênios com grandes ONGs repassadoras de serviços (seja em serviços de saúde, programas de esporte comunitário, educação, reforma agrária ou quaisquer outras áreas), que mais funcionavam e funcionam como prestadoras de serviços. O caminho adotado desde o início dos Pontos de Cultura foi no sentido inverso, estabelecendo uma relação direta com entidades comunitárias de pequeno porte (a maioria firmando convênios pela primeira vez), com a transferência de pequenos valores (R$ 60 mil/ano, o que representa R$ 5 mil/mês). Até 2009, em relação direta do Ministério da Cultura com as entidades, chegamos a 800 convênios e via redes com governos estaduais e municipais, a mais 2.500 entidades culturais, beneficiando mais de 8 milhões de pessoas em 1.100 municípios do país (dados do IPEA). Lembro-me do primeiro convenio de Ponto de Cultura que assinei, em novembro de 2004, com uma associação de jovens no município de Arcoverde, no agreste pernambucano. Assim chegamos a grupos de Hip Hop, Cultura Tradicional, favelas, coletivos de teatro ou dança, bibliotecas comunitárias, aldeias indígenas… Há um convênio assinado diretamente com o cacique Aritana, dos Yawalapíti, no Parque Nacional do Xingu e até trato disso em outro capítulo de meu livro:

“Tem memória os índios do Brasil e eles sabem o que acontece quando transferem para outros o destino de seus povos. Mesmo que num primeiro momento o preenchimento de planilhas e documentações pareça difícil para um índio que mora no Xingu, melhor falarem por si mesmos, sem intermediação; a ajuda externa, quando honesta e desinteressada, é bem vinda, mas sempre a última palavra é deles. O que eles precisam fazer, fazem por si mesmos e com isso conquistam autonomia.” (pg. 28)

Todavia, não foi uma opção fácil. O convenio com o IPEAX (Instituto de Pesquisa Etno Ambiental do Xingu), presidido pelo cacique Aritana, com sede na aldeia Yawalapíti, no Parque Nacional do Xingu e sub-sede no município de Canarana, MT, a dois dias de barco da aldeia, levou um ano e meio para ser assinado. Tantos foram os conselhos que recebi para fazer o convênio com uma ONG mais estruturada, que assim repassaria o recurso para eles. Mas Aritana não quis, nem eu.

Quebrar a intermediação e estabelecer uma relação direta entre Estado e Sociedade foi uma decisão em três níveis:

a)     Filosófica/ideológica – ao fortalecer e empoderar grupos culturais historicamente alijados, abrindo caminho para um Estado de novo tipo, ao mesmo tempo leve e ampliado e moldado à feição de seu povo;

b)     Política – ao exercitar novos padrões de relacionamento entre aparato burocrático de governo, colocando um degrau a mais nos processos de orçamento participativo, e em escala nacional, em que as pessoas são chamadas a dizer não somente “o que querem” (ou necessitam), mas “como querem”, e assim recebem meios para essa execução direta;

c)     Técnica e de gestão – ao acumular um conjunto de êxitos na implantação de um programa de governo, permitindo que o recurso, efetivamente, chegasse à ponta, multiplicando em muito a capacidade de realização de suas ações.

Essa decisão foi muito criticada à época (e até hoje, suponho), pois seria mais fácil concentrar os Pontos de Cultura em poucos mega-convênios, com poucas mega-entidades. Mas se assim fizéssemos o que estaríamos mudando na relação entre Estado e Sociedade? Poderíamos estar oferecendo um serviço mais ágil, talvez, mas mesmo quanto a isto tenho dúvidas, até em relação à prestação de contas e possibilidades de desvios, afinal, quanto maior o montante, maior a tentação. E, para além dos avanços de caráter filosófico/teórico e político, houve avanços em termos de gestão administrativa. No início, a única alternativa apresentada pela gestão interna e departamento jurídico do ministério foi o mecanismo de convênios, era fazer assim ou não fazer. Fizemos. Mas logo no ano seguinte tomamos a medida de alterar a prestação de contas de semestral para anual, reduzindo os processos burocráticos em 50%. A partir de 2007, com o Mais Cultura, houve a descentralização dos convênios, via estados e municípios, agilizando ainda mais os processos de acompanhamento administrativo, além de colocar-los mais próximos aos Pontos de Cultura. Em paralelo também foi equacionado outro problema bastante relevante: o impedimento da utilização de despesas administrativas, mesmo quando contrapartida das entidades, na prestação de contas do convênio; essa era uma decisão que dependia do Ministério do Planejamento, através de Instrução Normativa (IN) e com a mudança foi possível estender a decisão para aplicação retroativa a todos os convênios dos Pontos de Cultura, permitindo que 15% de despesas totais do convênio pudessem ser utilizadas na manutenção e despesas administrativas dos Pontos de Cultura. E, para além destas medidas, houve a aplicação de Prêmios, via ações do programa (Pontinhos de Cultura, Economia Viva, Griô, Interações Estéticas, Escola Viva, Cultura e Saúde, entre outras), dispensando prestação de contas burocráticas e liberando as entidades para uma ação direta em sua atividade fim, com excelentes resultados. Ao final de 2009, após um ano e meio de negociação entre o governo do estado de São Paulo e Ministério da Cultura, também chegamos a um novo formato para a rede de Pontos de Cultura, agora via prêmio. Essa medida, sem dúvida, teria um grande efeito na descomplicação burocrática do programa, todavia, com a mudança de governo, não foi estendida como modelo às demais redes (via aplicação retroativa, como no caso da alteração da Instrução Normativa sobre convênios, admitindo despesas administrativas), ou mesmo a eventuais novas redes.

Por isso a aprovação da lei Cultura Viva torna-se ainda mais necessária. Assim, será possível garantir uma norma clara e precisa.  A lei Cultura Viva representará um marco no caminho do Estado-Rede, tal qual propõe Manuel Castells, e do Estado Ampliado e Educador, segundo pensamento de Antonio Gramsci.  Apontei isso em meu livro, ao propor a combinação de princípios administrativos como: “…flexibilidade; transparência administrativa; descentralização compartilhada de gestão; coordenação de regras democraticamente estabelecidas; participação do cidadão, sobretudo os excluídos; modernização tecnológica; valorização dos servidores e retroalimentação da gestão com mecanismos de avaliação que permitam a aprendizagem e correção de erros” (pg.137).  Este é o sentido da lei e talvez sua contribuição principal, para além, até mesmo, da garantia do programa Cultura Viva. Claro que a garantia do programa é fundamental, mas a contribuição da lei Cultura Viva pode ir além, servindo de paradigma para outras formas de relacionamento e controle social entre Estado e entidades da sociedade, as ONGs. A respeito das ONGs, gostaria de abrir um parêntesis para uma observação:  o caminho da pulverização em pequenos contratos, tal como praticado com os Pontos de Cultura demonstra-se muito mais eficiente e refratário a desvios que o da concentração.

Foi o que fizemos. E será o que faremos ainda mais com a aprovação da lei Cultura Viva. Empoderando gente criativa e generosa que há tanto tempo faz tanta coisa boa e bela por sua gente, e sem receber o menor reconhecimento e apoio governamental. Com o Ponto de Cultura os anônimos ganharam rosto e protagonismo. E vão além!

Este é o efeito da lei CULTURA VIVA. Mais que a consolidação de um programa, ela representa uma nova forma de os governos se relacionarem com a sociedade. Uma sociedade que há muito tempo já faz, seja em cultura ou outros campos da vida em comunidade, e que agora quer ser reconhecida em seu protagonismo e em suas formas de autogoverno.

Por isso agradeço, por isso parabenizo e por isso peço apoio à lei CULTURA VIVA e ao relatório ora em votação.

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DVD Arte Nômade de Murillo Da Rós disputa Prêmio da Música Popular Brasileira 2013

O DVD Arte Nômade do violonista e compositor curitibano Murillo Da Rós, com Glauco Solter e Luciano Madalozzo, está entre os pré-selecionados para o Prêmio da Música Brasileira 2013.

Único DVD independente entre os escolhidos e praticamente desconhecido da imprensa nacional, Murillo da Rós disputa com nomes consagrados  da MPB como Ana Carolina, Arnaldo Antunes, Erasmo Carlos, Nação Zumbi, Sorriso Maroto, Vitor e Leo, Zeca Pagodinho, Zeze Di Camargo e Luciano, Adriana Calcanhoto, João Bosco, Jota Quest, Mauro Senise, Roberto Carlos, Ivete Sangalo, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Mas tem mais um detalhe: é um DVD de música instrumental.

Murillo foi selecionado para representar o Brasil no site Ourstage.com que seleciona 80 canções ao redor do mundo (Around The World In 80 Songs) com a música “Málaga” e para quem foi dedicado um artigo extenso e elogioso: “Talvez uma das maiores canções de Murillo seja “Málaga”, uma canção que exemplifica o seu domínio da guitarra, bem como suas habilidades incríveis como compositor. “Málaga” oferece tudo o que constitui a música de Murillo: uma experiência inesquecível, onde nunca deixa de surpreender a música instrumental, e que é atemporal e universal” (Perhaps one of Murillo’s greatest songs is “Malaga”, a song that exemplifies his mastery of the guitar as well as his amazing skills as a composer. “Malaga” offers everything that constitutes Murillo’s music:  “an unforgettable experience where instrumental music never stops surprising” and that is timeless and universal).

Violonista virtuose que mistura o flamenco com a MPB, Murillo tem uma carreira sólida, é super conhecido no Paraná, já tocou com Badi Assad, Gilson Peranzzetta, no Brasil, com  Jorge Pardo, Giuliano Pereira e Flavio Rodrigues, na Espanha, e excursionou por S. Petersburg (Russia) e Roma (Itália), além de ter tocado em várias cidades brasileiras.

A mistura rítmica que Murillo enxerta nas suas composições são como as brincadeiras lépidas de outro gigante do violão: Raphael Rabello. Apesar da forte influência de Paco de Lucia e do jazz, a sua brasilidade não esconde o samba que, lá no fundo, pinça de gingado seus rápidos acordes, sua ágil mão direita, sua limpeza de primoroso concertista erudito.

Tom Junior e o bom gosto “eternamente”

Tenho visto muitos trabalhos bons em música. Uma grande leva de compositores novos – de uma novíssima geração que se aproxima em muito do bom gosto das gerações mais férteis da música brasileira – parece extrair de um campo de ressonância gravado no inconsciente coletivo, o melhor de nós mesmos.

Existe um consenso de que o maior paradigma (se é que se pode dizer assim) da música brasileira de qualidade é Tom Jobim e Chico Buarque de Holanda. Mas o mercado fonográfico não está nem aí para esta qualidade paradigmática. O que ele busca (os mercadores) foge 100% da nossa autenticidade cultural, com artistas amestrados e envelopados, abundantemente e, em igual proporção ao mercado, pirateados e copiados.

Tom Junior (e muitos outros compositores que conheço pessoalmente, a maioria dos quais já postados aqui) parece ser a diferença no baralho – um ás de espadas vermelho – ou seja, não pode ser domado pelo sucesso que se alimenta dos modismos de ocasião, mas antes, pela arte em todas as suas cores.

Tom tinha me mostrado a música do clip abaixo antes de produzir o vídeo. Gostei, sobretudo, do arranjo, mas também da leveza poética da melodia e da letra. Inspiradíssima, “Eternamente” é uma dessas canções que penetram pelos poros e chega para a carícia da alma. Música gravada de forma independente, com poucos recursos e clip idem, em menos de 24 horas e divulgada nas redes sociais pelo próprio artista, “Eternamente” marcou quase 2 mil visualizações no YouTube, contra quase o mesmo tanto da música anterior, “Desse Mar” em seis meses. É muito mais do que uma grande produção de mídia pode fazer com toda a sua manipulação e agendamento, dadas as devidas proporções.

Presumo que deva ser por conta do “paradigma” sobre o qual me referi no segundo parágrafo – a arte quenos toca profunda e definitivamente – cujo padrão de referência dificilmente pode ser modificado sem uma grande ruptura, apesar da onipresença da mídia como eficiente modificadora da preferência popular.

Com vocês, “eternamente”, de Tom Junior:

Videoclipe oficial da música “Eternamente” de Tom Junior. http://tomjunior.com.br

Nosso Medo

Nosso medo

Poema publicado no Almenara da Palavra

Poema de Erly Welton Ricci
Ilustração de Erly Welton Ricci
“Serei capaz
de não ter medo de nada,
nem de algumas palavras juntas?”
Manuel António Pina
Não usa sapatos novos
Nem assoma na janela
O uivo de sete paredes
Nosso medo
Ruas mal-iluminadas
Pedra assentada no ombro
O que espreita na lida
Signo de nenhuma estrela
Crucificada no erro
Em vestes corruptíveis
Fala pelos cotovelos
Entre ossos e lama e aço
Cerra olhos e punhos
Nosso medo
Não tem a morte no rosto
Não oferece a outra face
Ferro e fogo do verso
Cálice de vinho e veneno
Inverno de mitos sangrentos
Desperta mil vezes em cena
É uma montanha de pedra
Ciência e deuses no Olimpo
Rosário de sal e de seca
Nosso medo
Punhado de cal na têmpora
O dia que ainda não veio
Barco na névoa espessa
Cova rasa do julgamento
A linha de qual horizonte
Minúcias de zinco e areia
São ferpas e lascas na unha
Estrada longa e estreita
Reza pra todos os santos
O nosso medo
Ferrugem no pó e nos pelos
O sangue de metal e fungos
A certeza de não sabermos
Em doze motes de cera
Grades e muros e cercas
Arame em torno do punho
O nosso medo

Tatuí, o sorveteiro das flores

Capa do Livro do desenhista e quadrinista Humberto Soares

Ele é um elemental da natureza que virou menino depois de ir até às últimas conseqüências para defender a mãe de todas as palmeiras juçaras, a mãe da floresta tropical atlântica. Menino encantado que mora dentro de um latão e distribui sorvetes de alegria. Este é o principal personagem do livro de HQ “Tatuí – o príncipe dos palmitos” , de Humberto Soares (desenho e criação) e Luciane do Nascimento (roteiro), que está sendo lançado na Gibiteca de Curitiba na próxima sexta-feira, dia 9.

Sobre o livro escreveu a Gislene Bastos, do Informe de Valor:

“A história de um menino meio gente, meio bicho, que se vê sozinho, diferente das outras crianças e não sabe direito quem é, nem de onde veio. Ele tem uma amiga. Rana é uma aranha que vive no boné do Menino Tatuí e adora imitar gente…

O argumento do ilustrador Humberto Soares deu origem às tirinhas, à lenda e ao livro “Tatuí – o príncipe dos palmitos” elaborado em parceria com a amiga Luciane do Nascimento e lançado durante a Feira do Livro de Joinville, no mês de abril. O livro está sendo apresentado agora aos curitibanos, na Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba, a GIBICON, que vai até o próximo domingo, dia 28. “TATUÍ” tem pré-lançamento nesta sexta-feira, entre 14h e 18h, no Memorial de Curitiba, integrando a Mesa dos Independentes. Segundo a lenda, o menino vive pela cidade distribuindo picolés de alegria e felicidade. Humberto Soares encarna o menino com performance inédita na capital paranaense. E já avisa: quem pisa nas pegadas do Tatuí dá risadas por nada…

Tá curioso pra saber que coisa de Tatuí é essa? Bom, o Tatuí é um ser pequenininho que nasce no broto dos pés de palmito, muito comum em toda a Mata Atlântica e na Serra do Mar. A criação do Menino Tatuí tem muito da característica alegre do pai do personagem, o Humberto Soares, e também da preocupação dele e da amiga Luciane com a questão ambiental. Apresentar conceitos sobre a preservação da floresta de um jeito colorido e alegre é a aposta da dupla. Sucesso aos dois e a duplinha Tatuí e Rana!

 

Humberto Soares – Quadrinista nasceu em Curitba/PR e mora há 12 anos em Joinville/SC.
É o criador do Personagem Tatuí, um picolezeiro encantado que espalha picolés da alegria por onde passa.
Participa do Grupo de Artes Pequeninus Produções Artísticas
Serviço:

Lançamento do Livro “Tatuí O Príncipe dos Palmitos”
Dia 09/11 Na Gibiteca de Curitiba – Solar do Barão – Centro
Rua Pres. Carlos Cavalcanti,533
Horário: 19h
Com sessão de autógrafos e performance do personagem Tatuí.

Evento: Corrente Cultural
Promoção: Fundação Cultural de Curitiba

Produção: Pequeninus Produções Artísticas

O som que a gente quer ouvir

da esquerda para a direita, Luciano Madalozzo, Murillo Da Rós, Badi Assad e Glauco Sölter

O que gosto de ouvir, sempre, é a boa música, aquela que arrepia e faz pensar ao mesmo tempo, inebria e faz sonhar, evoca cheiros de poesia. Bom, um pouco disso eu tive durante a Jam Session de Murillo Da Rós e Badi Assad, para o qual ganhei convites.  Murillo Da Rós agradeceu pessoalmente a minha presença durante o show no “I Festival de Jazz & Blues – No Improviso” no Teatro Bom Jesus, em que fez em um duo com a carismática violonista e cantora Badi Assad, no dia 29 de junho, do qual participam também o baixista Glauco Sölter e o percussionista Luciano Madalozzo. E no final, sua esposa e produtora, Renata Zapeloni, me presenteou com um CD e um DVD que não parei de curtir até agora.  O show foi gostoso, inebriante, cheio de improvisos e uma admirável participação de Badi Assad. Por isso, gravamos, Silzi Mossato e eu, um vídeo do qual faço um resumo nesta postagem para uma pequena mostra aos leitores:

Vindo de uma tourné pela Europa, com apresentações na Russia, em São Petersburgo, e em Roma, no Teatro Rossini, Palazzo Santa Chiara, passando pela Espanha, onde gravou um CD com o saxofonista Jorge Pardo, Murillo tem uma agenda cheia de apresentações e que envolvem parcerias com grandes músicos. Já comentei sobre Murillo aqui neste espaço e em outros, como lá no blog do Nassif, então vou falar de Badi Assad, que acabou voltar de uma temporada na Bienal de Dança de Veneza (Itália), junto com o BTCA (Balé do Teatro Castro Alves, Bahia). Foram 3 apresentações de sucesso absoluto, segundo as críticas do jornal La Nuova.

Segundo o site da artista (badiassad.com)  “quando tinha apenas 15 anos Badi dividiu o primeiro lugar como melhor violonista, ao lado de Fábio Zanon, no “Concurso Jovens Instrumentistas’, Rio de Janeiro. Quando completou 19 anos, levou o prémio de melhor violonista Brasileira no ‘Concurso Internacional Villa-Lobos’ no Rio de Janeiro. No ano seguinte Badi foi escolhida como a única violonista para representar o Brasil no ‘Concurso Internacional de Viña Del Mar’, no Chile.

Enquanto os concursos aconteciam Badi foi estudar música na Universidade do Rio de Janeiro – Uni-Rio. Em 1989, gravou seu primeiro álbum, Dança dos Tons, lançado somente no Brasil na época. No entanto, em 2003, o CD foi relançado internacionalmente com quatro faixas bônus, rebatizado de  Dança das Ondas. Em seguida, Badi iniciou experimentações vocais, produzindo sons de percussão com a boca, que foram acrescentados à sua música. Novos e exóticos sons, além de infinitas possibilidades adicionadas à sua já excelente performance no violão. Cedo, ela demonstrou suas excepcionais qualidades em colaboração com outros artistas. Em pouco tempo, Badi apareceu ao lado de grandes músicos como George Benson, Mariza, Bob McFerrin, Hermeto Pascoal e Dave Grusin entre outros.

No entanto, foi somente em 93, quando Badi assinou contrato com o selo Chesky Records, conhecido por ser extremamente exigente musicalmente, que ela ganhou o cenário internacional. Em 94, Solo, seu álbum de estréia no selo, foi lançado nos Estados Unidos, seguido por Rhythms, em 95, e Echoes of Brazil, em 97. A cada lançamento, seu prestígio internacional aumentava. Em 94, a revista Norte-Americana Guitar Player, a escolheu entre os 100 melhores artistas do mundo! Já em 96 a revista Norte-America Classical Guitar considerou-a, junto com artistas como Charlie Hunter, Ben Harper e Tom Morello (do grupo Rage Against The Machine), um dos 10 jovens talentos que mais revolucionariam o uso das guitarras nos anos 90″.

leia mais sobre Badi Assad aqui

Junto com esta dupla de super talentos, é preciso destacar dois outros músicos surpreendentes que os acompanham nesta Jam Session: Luciano Madalozzo, percussionista, e Glauco Sölter, baixista. Os dois acompanham Murillo em vários shows (estiveram nos dois encontros de Murillo com o maestro Gilson Peranzzetta e Luciano tocou nas tournes de São Petesburgo e Roma). Cada um, em separado, serão assuntos para outras postagens neste blog. Mas vou dar uma palhinha sobre o baixista Glauco Sölter.

Terminado aJam Session de Murillo e Badi,  fomos no camarim, Silzi e eu, falar com os músicos. E Glauco me passou, meio escondido, um CD de outro trio do qual participa com os músicos Sérgio Albach (clarinete) e Vina Lacerda (percussão), o Mano a Mano Trio. Formado sem um instrumento harmônico, o trio dá uma sonoridade vigorosa e impactante às músicas que interpreta, que vai de Radamés Gnattali, passando por Paulinho da Viola, Chick Corea, Hermeto e Gismonti, até Guinga e Edu Lobo, além de músicas próprias. Já conhecia o trabalho de Glauco. É até difícil fazer uma lista dos músicos com os quais já tocou. Mas o Mano a Mano Trio me surpreendeu e acho que os leitores desse blog vão gostar também, porque a música que tem nele é a que realmente fala à alma:

Começa a Folia do Divino

Imagem do Divino Espírito Santo na Capela da Casa Mandicuéra - Foto: Silzi Mossato

Aorélio é o mestre, na rabeca. Denis Lang o violeiro. Sombra (Odair José Américo Pereira) é o tibe, aquele que canta com a voz de contralto. Jairo na caixa e Poro de Jesus no adufe dão o ritmo. Este é o grupo de foliões que passará 30 dias tocando e cantando de casa em casa na Romaria do Divino Espírito Santo pelas ilhas e pequenas comunidades do litoral do Paraná.

Os cinco, mais algumas pessoas que os acompanham, saem nesta sexta-feira, 13, de barco e devem passar todos os dias, até a Festa do Divino, das 7 horas da manhã até às 18 horas levando duas Bandeiras, a do Divino Espírito Santo e a da Santíssima Trindade, para as famílias, algumas das quais em lugares quase isolado da civilização. São famílias de pescadores tradicionais que recebem os romeiros com fé, reverência e alegria. Quando eles ouvem o toque da caixa ao longe, a emoção toma conta. Todos largam seus afazeres e vão se preparar para receber as Bandeiras em suas casas. Tomam banho, vestem suas melhores roupas e aguardam pelo momento em que suas moradas serão abençoadas pelo Divino.

Segundo o roteiro divulgado por Poro de Jesus no Facebook, nos dias 14,15 e 16 os foliões vão percorrer a Barra do Ararapira, dia 17, Vila Fátima, 18, Sebui e 19, Bertioga. Gabriel, na Casa Mandicuéra, ficará online dando a localização da romaria para quem desejar participar no meio do caminho. Nos dias 5 e 6 de maio os foliões vão estar mais perto de Paranaguá, na Ilha de São Miguel.